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Leitura para Sukot: Kohelet

  |   Festividades, Judaísmo

De acordo com a tradição asquenazita, em cada uma das nossas festas, lê-se uma Meguilá, um rolo que contém o texto de um dos livros poéticos da Bíblia, julgado pelos nossos rabinos ser particularmente apropriado para compreender a mensagem da festa. Em Sukot, lê-se o livro “Kohelet” (Eclesiastes). Escolhido por várias razões, uma delas é que a palavra “alegria” (simcha) é mais usada nesse livro do que nos outros livros da Torá. E Sukot é o tempo da nossa alegria.

A Meguilá é lida tradicionalmente no Shabat dos dias semi-festivos depois da Amidá, antes da leitura da Torá. As sinagogas asquenazitas de leste têm uma melodia especial bonita para cantar essa Meguilá. Muitas sinagogas progressistas lêem uma parte da Meguilá num dos serviços de Sukot em vez da leitura dos profetas; ou – mais comum – estudam um texto escolhido da Meguilá durante a festa, muitas vezes numa aula dentro da suká. O livro de Kohelet realmente dá muito para debater e pensar.

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Vaidade de vaidades! diz Kohelet, Vaidade de vaidades, tudo é vaidade!

Que vantagem tira o homem de todo o seu esforço que faz debaixo do sol? Uma geração vai e outra geração vem, mas a terra permanece eternamente. E nasce o sol, e se põe o sol, procurando o lugar onde começou a resplandecer, caminha para o sul, e volta ao norte, rodando. Roda e caminha ao vento, e volta fazendo os seus circuitos.

Todos os rios desaguam no mar, e, contudo, o mar não se enche. O lugar para onde os rios vão é para lá que eles correm de volta. Tudo se repete e nada se cansa, de uma forma que ninguém pode expressar. Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir.

O que foi é o que se há de ser. Nada de novo há sob o sol. E o que se fez, é o que se há-de fazer. Nada de novo há sob o sol.

Quando surge algo de que se possa dizer: “Olha só, algo de novo!” Eis que já existiu em tempos sem fim que nos precederam. Já não há lembrança de coisas passadas, e também das coisas que hão-de vir não haverá lembrança, nem o que há-de vir depois. (Kohelet 1,2-11)

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Tudo tem a sua época e há tempo para todo propósito debaixo do sol:

Tempo de nascer e tempo de morrer.

Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou.

Tempo de matar e tempo de curar.

Tempo de derrubar e tempo de construir.

Tempo de chorar e tempo de rir.

Tempo de lamentar e tempo de dançar.

Tempo de jogar pedras e tempo de colher pedras.

Tempo de abraçar e tempo de fugir aos abraços.

Tempo de buscar e tempo de dar por perdido.

Tempo de guardar e tempo de dissipar.

Tempo de rasgar e tempo de costurar.

Tempo de calar e tempo de falar.

Tempo de amar e tempo de odiar.

Tempo de guerra e tempo de paz.

Que vantagem tira quem trabalha naquilo em que se esforça? Vi a preocupação que Deus deu aos homens para dedicar-se a ele. Tudo fez próprio ao seu tempo; também a eternidade pôs no seu coração, só que o homem não é capaz de divisar a obra de Deus do começo ao fim.

E compreendi que não há coisa melhor para o homem do que alegrar-se a fazer na vida o que lhe é bom. (Koh 3,1-12)

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Mesmo se o homem viver muitos anos, que se alegre em todos eles e se lembre dos dias de trevas que serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.

Alegra-te, moço, na tua juventude, cria ânimo nos dias da tua mocidade e anda pelos caminhos do teu coração e pelo discernimento dos teus olhos. Mas saibas que, por todas estas coisas, terás que responder a Deus em juízo.

Afasta a ira do teu coração e faz a praga passar a tua carne. Pois adolescência e juventude são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias de mocidade antes que venham os dias ruins, anos dos quais dirás: “Não encontro neles prazer!” Antes que se escureçam o sol e a luz, e a lua e as estrelas, e que tornem a vir nuvens depois da chuva. (Koh 11,8-12,7)

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As palavras dos sábios são como aguilhões, como pregos bem fixados, pelos mestres das reuniões que nos foram dados pelo único pastor. Deles mesmos, meu filho, aprende a cuidar-te: Não há limite para fazer livros e o excesso no estudo é enfadonho à carne.

Conclusão final quando tudo foi ouvido: Teme a Deus e cumpre os Seus mandamentos, pois nisto se resume todo o homem. Pois Deus há-de trazer ao julgamento toda a Sua obra, mesmo todas as coisas ocultas, sejam elas boas ou ruins. (Koh 12:11-14)

(A tradução cima é baseada em Walter Rehfeld (no sidur As nossas festas, São Paulo 1979).

ilustra1Illustração Stefan Warias para Bible Week 2015

Ver o texto hebraico

Ver o texto completo em português

Annette Boeckler
Dr.ª Annette Mirjam Böckler é professora de Liturgia Judaica e Bíblica na Universidade Leo Baeck, em Londres, onde é também Bibliotecária. Escritora e tradutora em matérias Judaicas (sendo a tradutora do Seder haTefillot - o primeiro livro de Orações liberal após o Shoah na Alemanha), tem desenvolvido a tradução da edição alemã dos comentários da Torah de W. Gunther Plaut.