8 Aspectos de Chanucá

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Os livros de Macabeus contam sobre Iudas, o Macabeu. Ele era um guerreiro que lutou contra os exércitos gregos de Antíoco, que queriam difundir a cultura helenística em todos os seus territórios. Iudas, juntamente com seu exército simples e fraco, libertou Jerusalém e recuperou o Templo. Chanucá marca a coragem dos macabeus, uma luta contra a assimilação para a identidade do Judaísmo.

 

> O que é que a história do milagre do oléo no templo representa que também é um aspecto da Chanucá? Que papel desempenha a fé nesta história? O que acha o leitor da relação do Judaísmo com outras culturas e religiões? Onde é que o judaísmo se assimilou à sua cultura circundante? E onde não? O que acha o leitor sobre as escolhas no passado? Qual seria a relação ideal do Judaísmo com o mundo ao redor? O que acha o leitor do uso de meios militares para lutar pelo Judaísmo?

 

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Santidade


Os antigos rabinos decidiram contra os livros dos Macabeus e contaram em vez disso uma história milagrosa sobre oléo, usando motivos das histórias do profeta Elias sobre o fornecimento de oléo sem fim (2 Reis 4: 1-7). Chanucá tornou-se um festival sobre paz, esperança e luz. No Talmud (Shabat 21b), as escolas de Hillel e Shamai debatem sobre como acender as velas de Chanucá. A escola de Shamai diz: na primeira noite devem acender-se oito luzes e depois a cada noite elas vão sendo reduzidas. Mas Hillel diz: não. Na primeira noite só se acende uma vela, e então a luz vai sendo aumentada. Porque as luzes simbolizam um aumento na santidade com cada luz adicional. Devemos aumentar a santidade, não diminuir.

 

> Na época mais escura do ano, por que poderia ser importante aumentar a luz em vez de a diminuir? Como  encontra o leitor santidades na sua própria vida? Como traz a santidade para o mundo? A luz simboliza a presença de Deus. Como pode o leitor pode aumentar a presença de Deus no mundo?

 

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Dedicação


A palavra hebraica chanucá significa “dedidação”. Estes dias comemoram a re-dedicação do Templo em Jerusalém depois de ter sido profanado por três anos com adoração idólatra. A dedicação original do Templo ocorreu em Sukkot (1 Reis 8: 2). A dedicação de um santuário significa que a partir de determinado momento a presença de Deus pode ser experimentada nesse local.

 

> O que podemos aprender com o facto de que o Judaísmo marca uma re-dedicação? Se o leitor se dedicasse, ou se re-dedicasse a algo nesta temporada, o que seria? Para se dedicar desta maneira, seria necessário haver algum processo de purificação primeiro para se preparar para a própria transformação? Que tipo de acções poderia tomar para sustentar essa mudança? Que aspectos de Sukkot também se pode ver em Chanucá?

 

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Milagres


Na nossa reza principal, a Amidá, e também na reza após a refeição, agradecemos nos dias de Chanucá pelos milagres (al hanissim). A palavra hebraica nes significa “sinal” ou “bandeira”. Ao longo da literatura rabínica, aceita-se a possibilidade de ocorrência de milagres enquanto, ao mesmo tempo, a ordem natural é vista como a manifestação usual da providência divina e a identificação de um evento particular como um milagre é visto com grande cautela.

 

> Qual foi o milagre na história de Chanucá? Qual é a relação com os actos dos Macabeus? Como o leitor define a palavra “milagre”? Serão os milagres eventos do passado, para se ser grato? Ou serão eventos do futuro? Onde se vêem milagres no judaísmo?

 

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Alegria


A primeira Chanucá nos tempos dos Macabeus foi um Sukkot adiado (2 Mac 10:5-7). Tal como Sukkot assim é Chanucá, um tempo de alegria. Nós somos encorajados a jogar e cantar, comer doçaria e receber presentes. Durante Sukkot nós experimentamos um sentimento de vulnerabilidade e um sentimento de gratidão. Assim também em Chanucá. Contamos a instabilidade das nossas vidas e reconhecemos as bênçãos que são concedidas a cada dia e os milagres que espreitam na nossa vida.

 

> Que semelhanças existem entre Chanucá e outras festas judaicas? Quais são os valores ou temas comuns encontrados durante o ano judaico? Que tradições o leitor adiciona para criar mais alegria?

 

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Heróis


Existem vários modelos de heroísmo nas histórias que cercam Chanucá nos livros de Maccabbees e no livro de Judit, todos estão associados a Chanucá. Matatias desafiou o rei, recusando-se a se curvar a um ídolo. Judá venceu batalhas militares, Hana entregou seus filhos ao martírio. Judit seduziu e decapitou um general do exército. Ouvi uma vez um rabino dizer que o maior herói da história foi um sacerdote anónimo que escondeu, um dia, uma pequena garrafa de óleo, na esperança de que pudesse ser encontrada no futuro.

 

> O que é heroísmo e de onde vem a coragem? Quem são, para si, seus heróis e porquê? Qual desses modelos é mais atraente e mais problemático para si? Que áreas de heroísmo estão disponíveis para os homens, que áreas estão disponíveis para as mulheres? Que situações na sua vida lhe exigem coragem neste momento? E como é essa coragem?

 

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Divulgação


Um dos costumes de Chanucá é colocar a menorá num lugar onde possa ser vista pelo público. A ideia é proclamar o milagre de Chanucá o mais amplamente possível. Como nos dias antigos em Sukkot, os sacerdotes no Templo pediram a Deus perdão para as nações do mundo, e assim em Chanucá nós espalhamos a mensagem da presença de Deus no mundo. Nós tornamos a luz pública. (Não se pode esconder a luz, de qualquer maneira.)

 

> Como o leitor se sente ao divulgar um feriado? Como se sente ao trazer o que é geralmente privado para a esfera pública? Que partes de sua identidade judaica você está mais confortável em divulgar? Há partes da sua identidade ou da identidade comunitária judaica que você não iria querer divulgar? Porque sim, ou porque não?

 

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Memória


Podemos escolher o que queremos lembrar em Chanucá. Podemos comemorar o milagre do óleo ou podemos comemorar a vitória histórica dos Macabeus ou a batalha pela liberdade religiosa, para citar apenas algumas das possibilidades. (Os livros dos Macabeus e de Judit foram preservados apenas pela igreja Católica e só durante o século XIX foram reintroduzidos no Judaísmo). O que nós escolhemos revela algo sobre as nossas vidas, nossos valores, nossos interesses, nossas perguntas. Os antigos rabinos estavam preocupados com as nossas escolhas. Eles rejeitaram a história dos Macabeus e optaram por celebrar Chanucá como um tempo de acção de graças espiritual.

 

> Em muitos aspectos, a nossa história e identidade são construídas sobre o que escolhemos lembrar. Que lembranças o leitor tem de eventos judaicos passados? Que histórias e tradições ensinou? O que espera que a próxima geração aprenda? O que foi mais importante durante a Chanucá este ano? E o que gostaria o leitor de lembrar durante o próximo ano?

 

Annette Boeckler
Dr.ª Annette Mirjam Böckler é professora de Liturgia Judaica e Bíblica na Universidade Leo Baeck, em Londres, onde é também Bibliotecária. Escritora e tradutora em matérias Judaicas (sendo a tradutora do Seder haTefillot - o primeiro livro de Orações liberal após o Shoah na Alemanha), tem desenvolvido a tradução da edição alemã dos comentários da Torah de W. Gunther Plaut.