Generic selectors
Pesquisa exacta
Pesquisar em título
Pesquisar em conteúdo
Pesquisar em artigos
Pesquisar nas páginas
Filtrar por Categorias
Eventos
Festividades
Institucional
Judaísmo
Ligações
Personalidades
Visitas Guiadas

Parashá da Semana

  |   Judaísmo

Parashá da Semana

Caminhando Juntos para o Sinai

Este ano, o Omer, o tempo entre as celebrações de Pessach e Shavuot assumiram um novo significado. À medida que o nosso mundo correspondeu à pandemia do COVID-19, foi parecendo que temos contado com uma intensidade extra. Quando as ordens governamentais de recolhimento chegaram ao estado da Califórnia, onde vivo, a meio de Março, a festividade de Pessach ainda estava a algumas semanas de distância. Este ano, a nossa mesa de Seder, enquanto apetitosa e colorida como sempre, também incluiu computadores e outras tecnologias de modo que pudéssemos festejar e partilhar a libertação do nosso povo com a família, online em vez de pessoalmente. Dei as boas vindas à prática de viver cada dia de Omer como uma bênção, mesmo tentando imaginar como estaria o mundo dali a 49 dias.

Ao que parece, neste momento em que escrevo este d’var Torah, tal como Pessach, as observâncias de Shavuot serão online para proteger a saúde e segurança de cada ser humano. Será que assim o imaginávamos há 50 dias atrás? É, certamente, uma situação muito além do que eu próprio podia imaginar. Ainda assim, não deixa de ser um momento apropriado para nos focarmos nas noções que regulamentam o estabelecimento e restabelecimento de uma comunidade, seja Divina ou humana, à medida que fazemos os preparativos para esta festividade sagrada.

Quando os Israelitas pararam no sopé do Monte Sinai, eles eram uma comunidade em formação. O Êxodo do Egipto havia sido uma parte da sua consciência colectiva. À medida que chegava a hora do brit, o pacto entre o povo e Deus, existiam algumas fórmulas. Nahum Sarna escreveu, “no mundo antigo, as relações entre os indivíduos assim como entre as nações, eram ordenadas e reguladas através de pactos ou tratados,” (in The JPS Torah Commentary: Exodus, p. 102). O pacto teria que ser inteligível a todo o povo naquele momento, e não apenas a Moisés ou aos líderes. Além disso, faz sentido que uma estrutura familiar tivesse apelo universal. O pacto criou uma eterna parceria entre o povo Judeu e Deus.

Os Israelitas acreditavam numa certa similaridade com Deus. Mesmo antes do momento da Revelação, apenas a uns versos de distância, este povo estava pronto para a dita parceria. Todos disseram a uma só voz, “tudo o que o Eterno disse nós cumpriremos,” (Ex. 19:8). Uma declaração absoluta de fé.

Nós somos os descendentes desses Israelitas, e quanto nós certamente possuímos fé, para alguns de nós ela não é absoluta. À medida que vivemos por entre este mundo do COVID-19, a nossa fé pode estar a sofrer alterações. Tal como os Israelitas que caminharam rumo à liberdade, nós também, e assim queira Deus em breve, rumaremos a um novo futuro pós COVID. Para chegar lá, também nós precisaremos incorporar novas regras e recomendações nas nossas vidas. Mas estas regras não vêm de Deus; como parceiros de Deus, devemos confiar na sabedoria dos cientistas, dos profissionais da medicina e especialistas de saúde pública que nos guiem. Precisaremos de nos tornar especialistas em distanciamento social e métodos de protecção facial de modo a assegurar a segurança por algum tempo. Tal como os nossos antepassados, devemos estar preparados para aceitar estas novas regras em função da saúde de todos, ainda que não saibamos ao certo quantas e quais mais virão.

Ambos afirmamos a nossa aliança com Deus e com os nossos semelhantes enquanto tomamos medidas para garantir a sua segurança e a nossa. Somos pessoas com livre arbítrio. Cada um de nós tomará uma infinidade de decisões em conformidade com as regras. Fazemos isso com consciência. Em seu livro Conscience: The Duty to Obey and the Duty to Disobey, o rabino Harold M. Schulweis explica em belos detalhes as complexidades da nossa aliança com Deus e a escolha que fazemos para obedecer às regras ou não. Ele escreveu:

O dever de obedecer e o dever de desobedecer informam o convénio com atitudes contrastantes. O dever de obedecer se inclina para uma disciplina mais rigorosa e absolutista que não leva em consideração o comandante divino. Consequentemente, oferece maior certeza, segurança e protecção ao crente e se distancia das posturas desafiadoras predicadas nas prerrogativas da consciência humana. O dever de desobedecer é mais aberto a um diálogo recíproco em que a consciência humana goza de alto status e incentiva a iniciativa e a responsabilidade. Cada perspectiva dentro da tradição envolve a outra com um conjunto de pressupostos temperamentais e intelectuais que afectam a teologia, a ética e a lei judaicas. O carácter e o poder de cada parceiro da aliança são moldados pelas duas versões diferentes da aliança (p. 57).

A nossa consciência nos guiará ao navegar pelas regras do mundo que estamos a criar com Deus. Enquanto fazemos os nossos preparativos para permanecer no Sinai novamente, para nos conectarmos à aliança com Deus. Que cada um dos nossos passos em direcção à revelação nos traga força, totalidade, boa saúde e bênção. Ao chegarmos ao 50.º dia de Omer, cada um de nós merece da seguinte bênção:

Numerei os meus dias e entendi que os meus dias estão contados. A natureza finita da minha vida exige a minha atenção e consideração constantes. Eu recebi a vida diária para pensar, contemplar, ser gentil, ter propósito, saber quando ficar calado, enérgico, ser divino, ser totalmente humano, perdoar, estar apaixonado, estar ciente da vida com todos os aspectos do meu ser, da minha mente, do meu corpo, do meu espírito (Rabino Karen D. Kedar. Omer: A Counting. CCAR Press, 2014. p. 167).

Amém. Chag sameach. Ver-nos-emos no Sinai.

Parashá da Semana - פרשת בהעלתך
Início
Fim
Tel Aviv
19:26
20:35
Jerusalém
19:02
20:32
Haifa
19:27
20:36
Beer Sheeva
19:24
20:33
Zmanim Diário
ohel - Parashá da Semana
Sinagoga de rito Progressista, única askenazi em Portugal, fundada em 1934. Membro Afiliado da EUPJ/WUPJ (European Union Of Progressive Judaism / World Union Of Progressive Judaism) desde Abril de 2016.