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Parashá da Semana

  |   Judaísmo

Parashá da Semana

VOCÊ E O ESPELHO פרשת צו

A parashat Tsav relata o trecho no qual Moisés, após transmitir a Aarão e a seus filhos as determinações divinas quanto ao procedimento a ser seguido na prática de sacrifícios e ofertas sagradas, consagra-os como sumo sacerdotes. A passagem causa inúmeras interrogações pois àquele a quem foi atribuído o lugar mais sagrado do culto no Tabernáculo foi justamente o que concebeu o bezerro de ouro. O que explicaria a honra conferida a Aarão e seus descendentes após cometer esse grande pecado? Como Moisés poderia ainda confiar em Aarão? Porque é que Aarão não foi punido?

Como primeiro caminho sempre procuramos certos subterfúgios para explicar as condutas erradas assumidas pelos patriarcas e profetas da Torá. Alguns midrashim buscam conferir sentido a más acções, usando interpretações que contornam falhas que humanos, como Aarão, cometem. Além de construir o ídolo de ouro, Aarão exime-se da sua responsabilidade perante a falta cometida. Uma mensagem de omissão e impunidade é o que desejamos extrair da sabedoria do texto bíblico?

Um bom caminho para a compreensão das armadilhas da vida pode ser percorrer a trajectória intelectual do filósofo, Emanuel Lévinas, oriundo do judaísmo de Vilna, no qual se constituiu uma escola de sábios baseada no casamento de uma rica tradição religiosa com um pensamento intelectual sofisticado. A partir da sua própria vivência durante a Shoá e dos inúmeros episódios de guerras, massacres, diz que o extermínio judaico pelos nazistas marcou o assassinato do homem, a destruição mesmo da humanidade do homem. Ainda assim era preciso conferir significado e, mesmo futuro, à existência humana e o seu apoio se dá nas fontes da tradição religiosa judaica.

Para Lévinas o pensamento ocidental, a partir da filosofia grega, desenvolveu-se como um discurso de dominação. O predomínio da concepção do ser, sob uma óptica unificadora e totalizante, não possibilitou a valorização da diversidade, do debate, do contacto com o Outro. O universo da razão precisava deixar de se submeter ao político para se aproximar do campo ético.

Já no discurso judaico o Eu se encontraria sempre na relação com o outro, num processo de responsabilidade, que se exterioriza nas prática de Tikun Olam, na preocupação com o pobre, a viúva, o órfão e o estrangeiro. Uma relação ética que se dispõe como assimétrica, desigual, sem qualquer e obrigatória reciprocidade. O comportamento, o agir, independente da conduta do outro. Não é dando que se recebe. Sou responsável porque assim o quero ser. “Ama teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19:18).

Essa responsabilidade resta evidente na figura paradigmática de Moisés, ao se deparar com o bezerro de ouro após receber a Torá no Monte Sinai. Mesmo sob o sentimento do furor, da frustração com o seu irmão, manteve a sua postura ética ao perseverar na missão assumida de tirar o povo judeu da escravidão no Egipto e leva-lo à liberdade na terra prometida. Clamou a Deus para não descumprir da promessa pactuada junto aos patriarcas, oferecendo a própria vida em troca do seu perdão, como um capitão cujo destino está preso a um navio que naufraga.

A palavra tsav que dá início à parashá – cujo significado é ordenar – inova, como enfatizam muitos comentaristas, ao substituir o termo dizer, normalmente utilizado para a expressão de Deus. Conferindo um sentido imperativo, de comando, indica a existência de uma tensão, ao demonstrar a própria desconfiança divina quanto a retidão de Aarão a cumprir seu papel sacerdotal. Quanto a Moisés, ao longo deste capítulo, fica marcada sua responsabilidade com o povo a quem prestou lealdade, o que se encerra justamente no último versículo:

“E Aarão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Eterno ordenara por meio de
Moisés”.

Shabat shalom
Márcio André Sukman

BIBILIOGRAFIA
COUTO, Elias. Lévinas e a crise na Europa. No centenário do nascimento de Emanuel Lévinas. Theológica, 2.série, 41.2. Portugal: UCP, 2006.

PFEFFER, Renato Somberg. Raízes judaicas de humanismo de Lévinas. Revistas digital de estudos judaicos. Belo Horizonte: UFMG, 2006.

BENDAHA, Esther. La shoah em Lévinas. Um elo inaudible. Espanha: EntreParéntesis, 2016.

Fonte arirj.com.br
Parashá da Semana - פרשת צו
Início
Fim
Tel Aviv
17:35
18:44
Jerusalém
17:11
18:42
Haifa
17:34
18:43
Beer Sheeva
17:35
18:44
Zmanim Diário

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Ohel Jacob
Sinagoga de rito Progressista, única askenazi em Portugal, fundada em 1934. Membro Afiliado da EUPJ/WUPJ (European Union Of Progressive Judaism / World Union Of Progressive Judaism) desde Abril de 2016.