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Parashá da Semana

  |   Judaísmo

Parashá da Semana

Princípio religioso e fundamento da dignidade humana

A Parashat Vaetchanan traz, na sua densidade, dois pontos que merecem destaque; num temos a leitura do Shemá Israel, como também, num outro, a recitação dos Dez Mandamentos. De um lado, recitamos uma oração que resume o princípio básico da fé judaica, a Unicidade Divina. Esta, de forma isolada, não seria o suficiente para organizar um povo, dotá-lo da necessária institucionalidade. Estar-se-ia estabelecendo princípio religioso, que fixaria elemento de convergência, mas seria incapaz de estruturar uma sociedade, onde regras de convivência, para questões diárias, se fazem indispensáveis. Neste ponto, surge o Direito, que regula as relações sociais, fixando preceitos básicos, num primeiro nível, que permita a convivência entre seres humanos, sem prevalecer o vigor físico e respeitando a diversidade de género, como elemento intrínseco de uma sociedade plural. Hans Kelsen, em General Theory of Law and State dizia que “a lei é uma ordem do comportamento humano”. Quando observamos os Dez Mandamentos, temos valores que acrescentam, ao aspecto religioso da unicidade Divina, outros de natureza diversa. De um lado, a origem Divina da libertação. Mais do que deixar de ser servo, tem-se a noção de ser livre e lembrar da condição de estranho na terra do Egipto para não ser indiferente ao drama humanitário de retirantes e refugiados.
A unicidade Divina se repete ante a vedação de outros deuses. Entretanto, mais do que uma interpretação rasa, temos a busca por uma vida integrada a valores, como se expressa na Haftará de Yom Kippur, onde claramente se aponta que a externalidade de comportamentos, desprovida do real sentimento, não se constitui, na visão do profeta, o jejum autêntico. A externalidade, desprovida de conteúdo, é um elo com a falsidade, onde a ética cede o lugar à corrupção de valores. Acrescenta-se a esse, a vedação ao falso juramento; aquele que jura sem a preocupação da repercussão. Da mesma forma, está em usar o nome de Deus em vão. Esta forma de uso, banaliza o seu aspecto divino e se contrapõe a princípios éticos e filosóficos do Shemá Israel. O ser humano merece respeito e o trabalho não deve submetê-lo a situações de risco, onde o descanso assume papel vital, assim ao estabelecer o Shabat, deu-se um primeiro passo em resguardar o direito à dignidade no labor. A partir daí, tem-se regras que buscam o respeito ao seu semelhante, a sua dignidade; trata-se de respeitar a pluralidade, que no dizer de Hanah Arendt, em Origens do totalitarismo – antissemitismo, imperialismo, totalitarismo, é inerente à condição humana. Desta forma, ao fixar regras de condutas e o princípio da unicidade Divina, constitui-se a base de uma sociedade que tem a dignidade da pessoa humana, como norte, onde o estrangeiro não se vê menosprezado por uma condição étnica e em que a pluralidade, pautada no respeito à liberdade, serve de alicerce.

Shabat shalom.
Ricardo Sichel

Fonte arirj.org.br
Parashá da Semana - פרשת ואתחנן
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Fim
Tel Aviv
19:06
20:13
Jerusalém
18:42
20:11
Haifa
19:06
20:13
Beer Sheeva
19:05
20:12
Zmanim Diário
Ohel Jacob
Sinagoga de rito Progressista, única askenazi em Portugal, fundada em 1934. Membro Afiliado da EUPJ/WUPJ (European Union Of Progressive Judaism / World Union Of Progressive Judaism) desde Abril de 2016.