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YAMIM NORAIM 2017/5778 NA OHEL JACOB DE LISBOA – UMA EXPERIÊNCIA MÁGICA!

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Passar os Yamim Noraim de 2017 na Ohel Jacob de Lisboa, foi, para mim, uma experiência mágica! Afinal, após 39 anos sendo Chazan em quatro Sinagogas de distintas linhas religiosas do Brasil – no Rio de Janeiro e em São Paulo – onde cantei para congregações de até duas mil pessoas, liderar os serviços religiosos das Grandes Festas para uma comunidade tão pequena como a Ohel foi uma vivência completamente diferente e inusitada!
Mas, acima de tudo, foi uma vivência abençoada e engrandecedora. Por primeira vez atuei de forma voluntária, e para uma comunidade para lá de especial. É quase impossível descrever a emoção de estar numa Congregação fundada por judeus poloneses num centro eminentemente sefardi e numa época de intenso e violento antissemitismo na Europa. Estar numa Sinagoga camuflada num apartamento de andar alto, ao contrário dos grandes Templos aos quais me acostumei, me deram uma sensação de voltar no tempo e de estar também sofrendo em minha própria pele as agruras que sofreram meus correligionários judeus que desejavam se manter judeus de qualquer forma, num mundo enlouquecido por um preconceito animalesco e injustificado.
Além disso, a Ohel Jacob tem em sua essência a preocupação constante com o resgate dos descendentes dos judeus que foram vítimas da terrível Inquisição Ibérica do final do século XV, preocupação com a qual sempre me identifiquei e me solidarizei não só pela tragédia propriamente dita, mas por ligação pessoal, íntima e direta com o assunto.
Fora todas estas questões, a atmosfera familiar da Ohel, manifestada pelo seu Board composto pelo Presidente Danilo e pelas queridas Adriana Souza, Ana Scherer e Rachel Yeshurun, fez tanto a mim quanto à minha mulher Regina Szterenfeld – que é Morá de Torah – nos sentirmos em casa, de uma forma raramente experimentada. As refeições comunitárias após os serviços religiosos de Rosh Hashaná nos remeteram a estar de fato com nossas famílias, numa vivência cósmica simplesmente reconfortante.
E o que dizer dos serviços religiosos em si? Ter congregantes de várias partes do mundo cantando juntos HINE MA TOV UMÁ NAIM foi de arrepiar! Compartilhar os serviços com pouca gente, porém gente interessada e totalmente conectada, fez parecer que estávamos nos multiplicando! Ter a parceria da Rachel Yeshurun na liderança dos serviços de leitura da Toráh, ouvir a pequena congregação cantar a plenos pulmões uma melodia específica do ADON OLAM que remete à época medieval e ouvir os sábios comentários de minha mulher, recheados de intervenções pertinentes dos congregantes discutindo assuntos concernentes ao Yom Kipur e às idiossincrasias da vida comunitária judaica, foi uma experiência
que carregou em si mesma uma sensação de volta a um passado glorioso e a expectativa de um futuro promissor.
Fica aqui o meu agradecimento pela acolhida maravilhosa com que eu e minha mulher fomos agraciados pela Ohel Jacob e uma saudade gostosa destes Yamim Noraim, certamente dos mais impactantes de nossas vidas!

 

Shalóm Uvrachá,
Chazan DAVID ALHADEFF – Rio de Janeiro, 29/10/2017

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