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Iom Kipur

  |   Festividades

Sílvio Santos da familia Abravanel fala sobre Iom Kipur

 

Nos serviços do Iom Kipur lêem-e os seguintes textos da Torá:

 

Abravanel começa cada um dos seus comentários com uma série de perguntas (“derushim“). Com isso, ele queria inspirar a aprendizagem do texto e a discussão antes da explicação em grandes detalhes e várias respostas. As respostas estão sempre ligadas à época, mas as questões permanecem. Então, muitas das perguntas de Abravanel são interessantes até hoje e são adequadas para desencadear um diálogo dentro do estudo chevruta (duas pessoas estudando juntas) ou uma discussão congregacional. Eis aqui as perguntas mais interessantes sobre os textos lidos no Iom Kipur:

 

Leitura da Torá Tradicional: Levítico 16:1-34

(o texto online; 📖 Machzor Progressista Chatimá Tová p. 154-156; 📖 Bíblia Hebraica p. 119)

  1. O primeiro versículo parece ser inteiramente supérfluo. Ele começa com as palavras “O Eterno falou a Moisés”, mas não há nenhum mandamento de qualquer tipo ou de quaisquer instruções dadas a Moisés. Então por que o texto começa assim?
  2. O texto começa dizendo: “Depois de morrerem dois dos filhos de Aarão”, então o versículo continua com “quando eles se aproximaram diante do Eterno, morreram”. Por que é que a morte é citada duas vezes neste versículo? Claramente existia uma necessidade para essa duplicidade aparente.
  3. Por que a Torá faz uma conexão do serviço do Dia da Expiação com a morte de filhos de Arão?
  4. “Fala a Arão, teu irmão” – porque é que a Torá adiciona a expressão “teu irmão”? Arão é mencionado muitas vezes na Torá e nunca foi necessário acrescentar as palavras “teu irmão”. Então porque de todos os lugares só aqui é que a Torá acha necessário adicionar essas palavras?
  5. “Ele que não venha a qualquer hora até à santidade.” Com isso a Torá restringe severamente a entrada de Aaron no santuário interior. Porque seria que Deus não permita Aaron vir ao santuário em todos os momentos?
  6. É mencionado anteriormente que a presença de Deus (a Shechina) aparece numa nuvem, então a presença de Deus será escondida na nuvem. Porquê restringir a entrada de Aaron? Pelo contrário, tornar-se-ia logicamente mais uma razão para atenuar a restrição da entrada de Aaron.
  7. “Com isto virá Arão à santidade”. Nós expectamos agora que o texto nos explique como, mas sabemos que todos os sacrifícios e serviços descritos neste mesmo texto são todos concebidos em função da expiação pelos pecados do povo. Então perguntamos: onde estão as condições que Aaron deve atender a fim de ser autorizado a entrar?
  8. “Com um novilho por oferta de pecado e um carneiro por oferta de elevação.” Perguntamos: Por que foi um novilho escolhido para ser oferta pelo pecado, e um carneiro para a oferta de elevação para Aaron?
  9. Por que não há menção feita aqui a todos os outros sacrifícios deste dia do Iom Kipur? Por exemplo, houve as duas ovelhas do sacrifício diário, que teve que ser feito até mesmo em Iom Kipur. [Hoje em dia rezamos a Amidá em vez desse sacrifício. AMB]

 

Leitura da Torá Alternativa: Deuteronómio 29:9-30:20 

(o texto online; 📖 Machzor Progressista Chatimá Tová p. 157-160; 📖 Bíblia Hebraica p. 209)

  1. A primeira pergunta é a mais difícil das perguntas. Trata-se da aliança que Deus fez com os filhos de Israel, especificamente a declaração feita por Moisés: “Não somente convosco eu faço esta aliança e este juramento, mas com aquele que hoje está aqui presente diante do Eterno, nosso Deus, e com aquele que não está aqui connosco hoje.” A questão aqui é: o que terá permitido a autorização à geração que ficou no Sinai para obrigar o futuro e as gerações ainda por nascer a uma promessa feita antes da entrega da Torá, em que o povo disse: “Faremos e ouviremos”? Como foram as pessoas que estavam no Sinai autorizadas a falar para as gerações futuras, crianças que ainda estavam por nascer?
  2. Moisés continua dizendo: “A fim de que hoje Ele te estabeleça como Seu povo”. A palavra “hoje” parece indicar que até àquela data eles não eram o povo de Deus, e que apenas naquele dia eles seriam eleitos como povo para Ele. Isto é contrário ao que sabemos, que Israel foi estabelecido como uma nação e “povo de Deus” quando os judeus receberam a Torá no Sinai. Então, como havemos de interpretar “hoje”?
  3. Moisés continua dizendo “e como jurou a teus pais – a Abraão, a Isaac e a Jacob”. Como terá Deus jurado aos antepassados, quando o juramento se baseia no livre arbítrio dos filhos de Israel? Se os filhos de Israel se recusam a entrar na aliança, como pode o juramento aos antepassados ser sustentado?
  4. Precisamos saber o que exactamente significa essa aliança entre Israel e Deus referida a “hoje”.

 

[Pergunta Annette Boeckler: Além disso, poder-se-ia perguntar por que razão as sinagogas progressistas sentiram a necessidade de usar essa leitura alternativa, em vez do texto tradicional.]

 

Leitura da Torá Tradicional: Levítico 18:1-30

(o texto online; 📖 Machzor Progressista Chatimá Tová p. 240-242; 📖 Bíblia Hebraica p. 121)

[O leitor acha que este texto acima deve ser lido num serviço? A maioria das sinagogas progressistas não usa este texto numa leitura litúrgica sem possiblidade de estudar ou explicar. Por isso lêem Lev 19.]

 

Leitura da Torá Alternativa: Levítico 19:1-18

(o texto  online; 📖 Machzor Progressista Chatimá Tová p. 242-243; 📖 Bíblia Hebraica p. 122)

  1. A primeira questão é acerca do tipo de mandamento dado neste texto. Muitos deles parecem ser repetições dos Dez Mandamentos (ver Êxodo 20 e Deuteronómio 5). Por isso, perguntamos: não é estranho tê-los repetidos aqui?
  2. Se aceitarmos que o que temos aqui é uma repetição dos dez mandamentos, então porque não são dados aqui na mesma ordem do que em Êxodo 20 e em Deuteronómio 5?
  3. Dois mandamentos que não fazem parte dos Dez Mandamentos foram inseridos neste texto. Por que razão terão sido inseridos?
  4. Notamos que os três primeiros mandamentos são seguidos pelas palavras “Eu sou o Eterno, vosso Deus”. Depois disso, só diz: “Eu sou o Eterno” e não acrescenta as palavras “vosso Deus”. Deve haver alguma explicação para esta mudança.
  5. Porque é que alguns destes mandamentos são escritos no plural, enquanto outros estão no singular?

 

 

Annette Boeckler
Dr.ª Annette Mirjam Böckler é professora de Liturgia Judaica e Bíblica na Universidade Leo Baeck, em Londres, onde é também Bibliotecária. Escritora e tradutora em matérias Judaicas (sendo a tradutora do Seder haTefillot - o primeiro livro de Orações liberal após o Shoah na Alemanha), tem desenvolvido a tradução da edição alemã dos comentários da Torah de W. Gunther Plaut.