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História da Hehaver-Ohel Jacob | Parte IV

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Renovação e Futuro

Ohel Jacob e os B'nei Anussim

Em 1999, um pequeno grupo de b’nei anussim, com idades entre os vinte e os cinquenta anos, evitado pela comunidade dominante da cidade, após conhecimento da existência da Sinagoga Ohel Jacob, desloca-se à Avenida Elias Garcia e é acolhido de braços abertos por Sapese Noymark, altura em que se estabelece um reinício na vida da Sinagoga e da Associação. A 26 de Outubro desse mesmo ano, a Hehaber, que passa a Hehaver, é finalmente constituída por escritura pública publicada no Diário da Républica III série, nº 296 de 22.12.1999, com o número de Pessoa Colectiva 504564064, passando inclusivamente a integrar parte destes marranos na sua estrutura organizativa. Até esta data, a Hehaver possuía apenas o reconhecimento dos seus Estatutos pelo Governo Civil de Lisboa, desde a década de 1930.

Os cincos anos seguintes pautam-se pela visita de vários rabinos no sentido de solucionar a situação destes marranos com pouca ou nenhuma formação litúrgica e sem orientação no caminho dos pretendidos “retornos” e conversões. É também retomada a regularidade dos serviços de Cabalat Shabat, celebração das principais festividades, algumas excursões e recepção de visitantes judeus e não judeus, portugueses e estrangeiros (principalmente vindos do Canadá, França, Itália e Israel), impelidos à sinagoga quer por motivações de fé quer por motivações culturais. Destacam-se um recital de violino organizado por Danilo Souza, com a participação especial da violinista Christa Ruppert e a comparência do Cônsul do Brasil, e um jantar de Rosh Hashanah com a presença de um grupo de marranos da sinagoga do Porto.

Entretanto, o elevado estado de degradação das instalações na Elias Garcia, que a muito custo haviam sendo combatidas ao longo dos últimos anos, acabou por evoluir ao estado devoluto, pelo que a Hehaver / Ohel Jacob inicia outra aventura pela busca de nova casa, por um longo período de 17 meses. Inicialmente, tendo em conta os parcos recursos da Associação, foi pedido o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (9.11.2004), que de promessa em promessa, acabou não viabilizando quaisquer resultados. A solução acabou por surgir através do antigo arrendador, Américo Carvalho, sensibilizado pela situação, e a Hehaver / Ohel Jacob instala-se na Rua Filipe da Mata, em Abril de 2006.

Ainda em 2004, “outro marco importante para estes anussim foi o momento em que foram recebidos pelo Grão Rabi sefardita Shlomo Moshé Amar,” num jantar organizado em casa do Rabino Boaz Pash, por altura em que o Grão Rabi “se deslocou a Lisboa para as comemorações do centenário da Sinagoga Shaaré Tikvá, (…), um encontro que se revelou histórico porquanto era o primeiro que se realizava entre cripto-judeus portugueses e o Grão-Rabinato, em quinhentos anos. No entanto, o Grão Rabino demorou a constituir um comité de avaliação da situação da comunidade. Quando o Rabi Leo Abrami passa por Lisboa, toma conhecimento do desejo destes marranos em se integrarem plenamente na ortodoxia judaica e, sensibilizando-se pela sua causa, compromete-se em ajudá-los com um programa pormenorizado e rigoroso para o efeito. Mas é, finalmente, o movimento judaico conservador (Masorti) que resolve apoiar a causa cripto-judaica em Portugal e, em 2006, o Jerusalem Office of Masorti Olami/ World Council of Conservative Judaism pediu ao Rabi Jules Harlow” [Marina pignatelli] esse apoio.

Por orientação de Jules Harlow, para que alguns dos membros efectuassem o seu “retorno” às raízes espirituais, e outros a conversão ao Judaísmo, por regra seria necessário criar uma comunidade para o efeito. Nasce então a Comunidade Judaica Masorti Beit Israel, ainda na Elias Garcia, durante o período de busca por nova casa. Esta comunidade foi posteriormente autorizada pela Direcção da Hehaber, e ao longo de oito anos, a utilizar o espaço da sinagoga Ohel Jacob (que entretanto se muda para a Rua Filipe da Mata) para a prática do rito Masorti, mantendo a inclinação Askenazi – “porque foram eles que nos abriram as portas” –, tendo-se extinguido em 2013.

Em 17 de Dezembro de 2006, é feita a Cerimónia de Dedicação, Hanukkah Bait, na Rua Filipe da Mata, presidida pelo Rabi Jules Harlow e assistida por cerca de 20 pessoas, marcada por singela homenagem ao homem que “com o seu gesto simples, mas do coração, contribuiu para que nós tivéssemos um local de acolhimento que, ao mesmo tempo, serviu não só para perpetuar a continuação da manutenção da Ohel Jacob, como também para perpetuar a fé que existia nos que tão humildemente pediram para ser aceites; (…) esse coração simples, mas grande, sem qualquer tipo de elitismo, que contribuiu para que tivéssemos uma “esnoga” onde pudéssemos orar e sonhar(…).” Era este homem Sapese Noymark, entretanto já falecido, em 2000.

Nesta longa caminhada, salientam-se ainda vários generosos donativos feitos por Harold Michal-Smith (2005 e 2007), doutorado em Psicologia e merecedor de vários prémios por seus notáveis esforços no apoio a portadores de deficiência ou perturbação mental, e que conheceu a Ohel Jacob através de Yaakov Gladstone, fundador da Hatzaad Harishon (1960), em Nova Iorque, conhecido pelo seu notável trabalho ao nível da diversidade Judaica, aproximando não apenas judeus de ritos diferentes, mas judeus de raça negra e judeus de raça branca. Ambos, Harold e Yaakov, foram membros activos da Ladina, uma organização dedicada à memória de Marranos judeus portugueses.

Em 2011, a Ohel Jacob recebe a visita da Rabina Alona Lisitsa, a primeira Rabina mulher em Israel a participar de um Conselho Religioso, doutorada em Talmud e Textos Antigos pela Universidade de Tel Aviv, e que, tendo sido nomeada Rabina patrocinada para toda a Península Ibérica (EUBD), torna-se a orientadora da Ohel Jacob a partir de 2014, ao nível do ensino litúrgico associado à preparação de conversões, após a extinção da Kehilat Beit Israel, e a evolução da Ohel Jacob para o movimento Progressista.

Em Novembro de 2014, a Ohel Jacob comemora os seus 80 anos de existência, desde a abertura do seu Livro de Actas, em 1934, e prepara uma simbólica homenagem aos quatro membros considerados o suporte sem o qual a sinagoga nunca teria chegado tão longe. Foram eles Samuel Sorin, fundador da Ohel Jacob; Sapese Noymark, que manteve a sinagoga aberta aos Sábados durante os anos de suspensão de actividades; Salomão Marques, pelos indispensáveis apoios religioso e financeiro prestados; e Aron Katzan, defensor da entrada dos anussim e que se manteve Dirigente da Ohel Jacob até ao fim da sua vida. A cerimónia iniciou com um pequeno texto, um Tributo aos membros descritos. Seguidamente, um elemento de uma das famílias honradas agradece profundamente a iniciativa do evento, procedida de três peças musicais para violino e canto colectivo. Entre os convidados da noite contaram-se a Embaixadora de Israel em

Portugal, Tzipora Rimon, bem como o embaixador do Parlamento Mundial das Religiões, Professor Paulo Mendes Pinto.

Em 2016, a Associação J. I. Hehaver / Sinagoga Ohel Jacob passa a membro afiliado da World Union for Progressive Judaism (WUPJ), por altura da comemoração dos 90 anos da existência desta – evento decorrido em Londres, entre 14 e 17 de Abril, e promovido pela European Union for Progressive Judaism (EUPJ). Nesta altura, é também elaborado o seu primeiro website, assim como documentação e memória descritiva da sua identidade visual, fundindo Associação e Sinagoga numa só representação gráfica.

 

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Ohel Jacob Homenagem “Tributo” > 8 de Kislev de 5695 / 8 de Kislev de 5775
Consulte documento completo AQUI
Yaakov Gladstone > fundador da Hatzaad Harishon (1960), e membro da The Society for Crypto-Judaic Studies – SCJS

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Ohel Jacob
Sinagoga de rito Progressista, única askenazi em Portugal, fundada em 1934. Membro Afiliado da EUPJ/WUPJ (European Union Of Progressive Judaism / World Union Of Progressive Judaism) desde Abril de 2016.